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Cena extra: Benjamin e Bella

  • Foto do escritor: Stefany Nunes
    Stefany Nunes
  • 28 de mar.
  • 4 min de leitura

Benjamin

Dezembro de 2025


Faz dois anos desde que viajei novamente para o meu tempo, apenas para me despedir de minha irmã e retornar para os braços da mulher que amo.

Eu e Isabella estamos casados e nossa primeira filha, que decidimos batizar de Melissa, nascerá até o fim deste mês. Como nossos amigos estão viajando nestas duas últimas semanas do ano, decidimos ficar a sós em casa, no aguardo do nascimento do bebê.

Bem… nós e Duke, é claro.

É ele quem me recebe quando abro a porta do apartamento após retornar de uma reunião com minha chefe. Comecei a trabalhar no ramo editorial há alguns meses, o que me recorda dos tempos em que editei os textos no Daily Bath.

Confesso que usar computadores e leitores digitais ainda não é algo a que eu esteja acostumado. Imprimo os documentos que preciso ler e utilizo uma caneta para minhas anotações — deixar de usar as penas foi como me adaptar às cuecas boxer, não tão difícil assim.

— Boa tarde, Vossa Graça — cumprimento o cachorro, que abana o rabo freneticamente.

— Ben? — Ouço o chamado de Isabella, que vem do nosso quarto.

— Cheguei, amor.

Caminho até ela e a encontro sentada na cama, concentrada na tela do notebook.

Há uma ruga entre suas sobrancelhas, que indica preocupação.

Ela é a mulher mais linda que já conheci.

— O que houve?

Ela pisca e somente então sorri para mim.

— Desculpa, eu estava numa cena tensa na história. Como foi a reunião?

Eu me aproximo e dou um beijo rápido em minha esposa.

— Foi bem. Vou editar dois livros novos até fevereiro. — Toco na barriga saliente. — Como está nossa pequena?

— Agitada e ansiosa para nascer.

— E sua história?

Isabella pensa antes de responder.

O livro que ela escreveu inspirado em nós dois, “Um Duque do passado”, foi publicado no Brasil por um editora. Bella agora está trabalhando em uma nova série, mas como não falo ou leio em português, terei que saber das histórias apenas pelo que ela me conta.

— Estou decidindo o que fazer nesse segundo ato, então farei um certo suspense. — Ela pisca para mim de um jeito charmoso. — Mas posso parar agora, se isso significa que você vai dedicar atenção a mim, Vossa Graça.

Ah, como se eu fosse recusar essa sugestão.

Então me aproximo e dobro o corpo, beijando-a com todo o amor que tenho dentro de mim.


***


Terminamos de jantar e, como acontece quase todas as noites, eu e Bella nos acomodamos no sofá da sala para beber um pouco de chá.

Bella está com Duke em seu colo, deitada na poltrona e com os olhos fixos na televisão. Suas mãos estão apoiadas na própria barriga e ela parece mais relaxada do que nunca.

Já eu resolvi adiantar o trabalho de amanhã. Algumas informações modernas ainda me confundem, então deixo os papeis de lado e me curvo par fazer uma pesquisa na internet.

— Tudo bem, aí? — Bella me pergunta.

— Sim. Só queria confirmar o que exatamente é toca fitas.

Um aparato que não existia no meu tempo, mas que tampouco é amplamente utilizado agora.

— Eles faziam sucesso nos anos 80 — Bella explica.

— Sim, me lembrei deles. São muitos nomes e geralmente me lembro melhor dos aparelhos que ainda utilizamos.

Anoto algo no papel, mas sinto o olhar dela ainda em mim.

— O que é, querida? — questiono antes de terminar de escrever.

— Como você se sente depois de dois anos vivendo no futuro?

Levanto o rosto para ela.

— No presente, você quer dizer.

— Sim, no presente. Não conversamos muito sobre isso e eu me pergunto se você sente saudade de casa.

Ela fala a palavra “saudade” em português, pois não há tradução na língua inglesa equivalente a tal significado, mas entendo o que Bella quer dizer.

Penso por um instante antes de responder.

— Bem, eu sinto falta de minha irmã e de Jack, sim. É… estranho que eles não estejam mais entre nós, ainda que eu saiba que tiveram uma boa vida. Então eu gosto de pensar que estamos apenas vivendo em épocas diferentes, mas paralelas. Faz sentido?

— Sim, é claro. — Ela sorri para mim e tira Duke do colo, se aproximando.

Acomodo Isabella junto a mim e encaro o rosto bonito.

— Tirando isso, estou mais feliz do que nunca — digo. — Tenho você e isso é mais do que jamais esperei para mim. Estou ansioso para conhecer nossa filha, também. Espero que ela se pareça com você.

Bella acaricia meu cabelo, tirando-o da testa.

— E quanto ao título e ao conforto a que você renunciou?

— Nada disso me faz falta. Eu era rico e solitário, meu bem.

— Então você gosta de trabalhar e de pagar boletos?

Rio, pois preciso admitir que os boletos realmente não são assim tão divertidos.

— Acho que há desvantagens, mas elas valem a pena.

Isabella esfrega o nariz no meu e beija meus lábios.

— Eu queria muito que sua irmã pudesse estar aqui para conhecer a neném.

A dor da distância se mostra presente. Eu também gostaria muito que fosse possível que Abby conhecesse a nova sobrinha. Tenho certeza de que ela abriria um sorriso grandioso e diria que era bom a menina puxar a mãe, apenas para me provocar.

Ainda que eu espere o mesmo, já que fico mal-humorado com uma facilidade tremenda.

— Vamos imaginar que, de alguma forma, ela sabe que estamos felizes. Contarei à Melissa histórias sobre Abigail e Barney.

— Ela saberá quem seus tios foram. Garantiremos que sim. — Isabella sorri e meu mundo se ilumina.

— Eu amo você, Isabella Waldorf.

— E eu você, Duque de Botas.

Meus batimentos cardíacos se aceleram e o amor se multiplica.

A dor se dissipa e eu apenas anseio pelos próximos anos ao lado da minha família.

Sorrio, sem me conter.

E ainda que possa parecer tolo, sei que Abigail, onde quer que ela esteja, está sorrindo também.

 
 
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