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O pedido da dama - capítulo 1

Ok, antes de começarmos, preciso dizer que Phillipinho será chamado de Phil, para não nos confundirmos.

A história se passa em 1840, em Londres. Phillip Wallace é filho de Magnolia e Phillip Spencer, de O desejo de um lorde, e Primrose é filha de Keith e Liz Maclogan, de O pedido de duque.


Os capítulos devem ser postados todas as sextas-feiras, aqui no blog. Eu avisarei nos grupos e nos stories do Instagram.

Se quiserem, curtam e comentem! A interação deixa tudo mais legal!


E agora, sem mais delongas, vamos à história!



Londres, 1840


— Aqui… e aqui. 

Phillip “Phil” Wallace Spencer pressionou a ponta do indicador no canto inferior do papel em sua frente. Ele recolheu a mão e observou seu pai assinar o documento, após uma rápida leitura das letras miúdas. 

— Certo. Algo mais? — Phillip Sênior perguntou. 

— Não, isso é tudo. — Phil recolheu o papel. — Tia Suzana disse que provavelmente teremos mais documentos na próxima semana. 

— Você cuida disso? — O mais velho deixou a caneta de lado. — Tenho alguns assuntos atrasados no ringue. Flavian está ocupado com o ducado e Jack não virá para Londres antes de novembro. 

— Claro, deixe comigo. Meus negócios estão em ordem. 

— Como estão os investimentos que fez com Handel? 

— Qual deles? O pai ou o filho?

Phillip relaxou o corpo no espaldar da cadeira macia e juntou as mãos. 

— Você fez negócios com seu primo também? 

— Eu fiz. 

— Ele tem vinte anos, filho. 

Phil deu de ombros. 

— Ele é sagaz. Investi pouco dinheiro, não se preocupe.

Phillip não pareceu convencido, mas também não insistiu. Phil sabia que o pai era um tanto cauteloso com seu dinheiro, resultado de uma juventude um tanto azarada e que o levou a diversas perdas sucessivas que quase o levaram à ruína financeira. Foi nessa época que o patriarca conhecera sua mãe e se casara com ela. 

— Pois bem. Então vou deixar em suas mãos as pendências da pousada nesta semana — disse Phillip. 

— Sim, senhor. Usarei uma carruagem para ir a Wembley. 

— Sem problemas. Diga adeus às meninas e mande minhas lembranças aos seus tios. Avise a Gerard que pretendo passar lá em dez dias, no máximo, já com os contatos do fornecedor de uísque. 

— Pode deixar. — Phil juntou os papéis sobre a mesa e os colocou numa pasta. 

Ele se despediu do pai e pediu que o lacaio fizesse sua bagagem. Passou na sala de visitas, onde a mãe, suas irmãs mais novas e sua avó tomavam chá. 

— Miladies, o dever me chama. Vou até a Wembley e devo voltar no sábado. 

Phil se aproximou e alcançou um bolinho de blueberries sobre a mesa. 

— Vai sair agora? — Magnolia, a mãe, perguntou. 

— Sim, em alguns minutos. 

— Esteja aqui no sábado! — A avó, Lady Georgia, ergueu um dedo para ele. — Teremos o baile de tia Poppy e o senhor deve estar presente. 

Ah, aquela conversa de novo. O projeto da vida de sua avó era arranjar compromissos para os netos — e ela tinha muitos deles. Os Spencers se multiplicavam a ponto de povoarem uma nova Londres, somente deles.

— Vovó, eu disse que não desejo me casar tão cedo. 

— O senhor tem vinte e três anos! 

— Exatamente! Um menino! — Phil dramatizou, mordendo o bolinho. — Um bebê que só quer desbravar o mundo. Meu pai não se casou antes dos trinta. 

— Seu pai teve uma fase inquieta, e aposto que ele daria tudo para ter conhecido sua mãe mais cedo! 

Magnolia o encarou e assentiu. 

— Bem, é o que ele sempre diz… — ela provocou. 

Suas irmãs riram, e Phil achou melhor sair logo dali antes que o assunto se prolongasse. 

— Estarei no baile, mas não esperem muita coisa de minha parte. — Ele deu um beijo na bochecha de cada uma e se despediu. 

— Deus o acompanhe, meu bem. — Magnolia fez um carinho em seu rosto. 

Phil sorriu e as deixou. No pátio, mandou que o cocheiro o levasse a Wembley e relaxou no banco de veludo da carruagem em movimento. Pensou, ao encarar as ruas do lado de fora, no que sua avó havia falado. 

Não que Phillip Wallace fosse um jovem contra o casamento. Nem mesmo se considerava um libertino, perto de alguns de seus primos como Handel Jr. ou Barney. Contudo, assumir uma casa àquela altura da vida lhe parecia demais. Ele era um sujeito responsável, aprendeu com seu pai a investir e a trabalhar na pousada, o que lhe dava um grande senso de utilidade. A nobreza não era mais como antigamente, e os homens que se fechavam em seu próprio orgulho estavam ficando para trás. Phil tinha planos para si: queria viajar, se tornar um dos sócios do ringue de boxe, e não descartava construir um legado somente seu, algo do qual pudesse se orgulhar. 

Casar-se… poderia vir depois de todas essas conquistas. Acreditava no amor — era impossível não acreditar, sendo um Spencer —, mas jamais se diria romântico ou emocionado como seu pai. 

Ele sorriu, achando graça da imagem de si mesmo rendido por uma mulher. 

Pois sua avó e mãe que sossegassem, pensou, esticando as pernas compridas. 

Não seria tão cedo que se veria encantado por qualquer mocinha que fosse.  


© Stefany Nunes - 2023 - Todos os direitos reservados

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