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O pedido da dama - capítulo 1 (parte 2)

Ele estava encantado. 

Enquanto observava o escocês grandalhão de sobrenome Maclogan guiar sua família escadas acima, Phil se inclinou sobre o balcão da pousada para ver mais um relance da mocinha de linda aparência que agora era uma hóspede do lugar. 

— Feche a boca, Phil… — Tia Suzana chegou ao seu lado, com uma expressão divertida. — Ou vai manchar a madeira de saliva. 

Phil negou, balançando a cabeça em negativo. 

— Ora essa…

— Ah, se você não fosse filho do seu pai — ela disse, colocando um pano de prato sobre os ombros e sumindo pousada adentro. 

Phil não gostava nada de ser comparado ao pai naquele quesito. Não que houvesse algo errado com Phillip pai, mas ele era emocionado demais em seus tempos de juventude, a ponto de ter sido enganado e ter sofrido muito. O sábio aprendia com o erro alheio, era o que Phil gostava de repetir a si. Mas, independentemente de qualquer coisa, ele ainda era um homem jovem que sabia apreciar a beleza de uma mulher. 

Tamborilou os dedos no balcão e decidiu ir para o escritório, cuidar da papelada. Sentou-se atrás da mesa imensa e mergulhou nos inúmeros papéis enfadonhos. Sabe Deus quanto tempo se passou, até ouvir as duas batidas na porta. 

— Ocupado, Ace? 

Phil levantou o olhar e encontrou o de Marcus Gerard, filho de tia Suzana e seu melhor amigo. Devido ao seu segundo nome — Wallace —, Marcus o chamava de Ace desde que eram moleques. 

— Quase acabando. Por quê?

O grandalhão de cabelos e olhos escuros se aproximou e puxou uma cadeira. 

— Vou até a vila numa festa de um amigo. Bom uísque, algumas mulheres, se estiver interessado…

Phil levou a mão à nuca e fez uma careta. 

— Logo hoje…

— Não diga que não aproveitaria. Minha mãe contou que o senhor estava babando por uma hóspede agora há pouco. 

— Tia Suzana não perdoa uma, hein? — ele resmungou. — A mocinha é bonita, só isso. 

— Uma hóspede, Ace. O quão excitado você está? 

— Vá se danar, Gerard! 

Marcus começou a rir e deu um tapa na mesa. 

— Vamos lá, Phil. Poderíamos nos divertir, relaxar… estou cansado de apenas trabalhar. 

Phil sabia que o amigo não estava mentindo. Marcus era jardineiro, dos bons, e se tinha uma única coisa na vida que ele levava a sério era o trabalho. O filho da gerente de pousada e do dono de uma taverna estava começando a chamar a atenção dos lordes de Mayfair e St. James. Marcus já havia trabalhado em jardins de duques e marqueses, e sua boa fama estava crescendo num ritmo acelerado entre os membros da corte. 

— Pode ser. — Phil cedeu. — Mas precisamos ser discretos. Se meu pai souber que estou festejando quando deveria trabalhar, estarei em apuros. 

— Eu prometo guardar seu segredo. — Marcus fez um sinal de juramento com os dedos. — Hoje quero apenas beber e jogar cartas. 

— Parece bom. 

Phil juntou os documentos sobre a mesa de mogno, e ele e o amigo deixaram o escritório. Marcus passou pela mãe, deu um beijo em sua bochecha e sorriu. Suzana apertou os olhos ao encarar os dois jovens. 

— Aonde vão?

— Vou mostrar a Ace um de meus projetos. — Marcus disse a ela. — O menino estava afundado em obrigações. 

— Phillipinho, não deixe que esse meu filho o distraia se você precisa de foco. 

Phil riu. 

— Não se preocupe, tia Suzana. Está tudo adiantado no escritório. 

— Tudo bem, mas tenham juízo. 

Ao se despedirem na mulher e passarem pelo balcão, Phil fingiu que não procurou uma certa mocinha de cabelos ruivos e sobrenome escocês por lá. 

Assim como fingiu que não pensou nela nos dias que se seguiram. 

Que estranho.

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