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O pedido da dama - capítulo 2

Para sua primeira temporada social em Londres, Primrose Maclogan até que estava se divertindo. Sentia falta da irmã, Debby, mas seus pais a haviam instruído bem para que conseguisse enfrentar os bailes londrinos como se tivesse nascido na capital. 

É claro, ela ainda preferia o campo. Morar em Hamilton, na Escócia, e ter a liberdade de andar em roupas mais confortáveis, fazer piqueniques no gramado verde, e até mesmo subir em árvores para ver a paisagem de cima jamais seriam coisas superadas por valsas ou ponches doces. Mas ela era uma lady, filha de um duque e, assim como Keith e Liz, ela sabia que enfrentar os salões lotados, mais cedo ou mais tarde. 

A semana tinha sido agitada, desde que haviam chegado na cidade. Keith conhecia alguns lordes e recebera convites diversos para eventos sem fim: dois saraus, um baile de noivado, um chá da tarde. Prim foi apresentada a tantos cavalheiros que seria impossível lembrar-se do nome de todos eles. Fizera uma amiga na corte, Dorothy Noble, uma moça alguns anos mais velha e filha de um visconde que também era botânico. Elas se entenderam bem logo de cara, e a jovem simpática não perdeu tempo em apresentá-la para as primas (elas eram muitas), as mesmas garotas que faziam companhia a Prim naquela noite estrelada. 

— Eu estou com sede. — Claire Spencer, também filha mais velha de um duque — o de Derbyshire — se abanou com o leque. 

— Eu também. — Gwen Rupert (outra prima) concordou. — Querem ponche ou champanhe? 

— Não podemos beber champanhe! — Dorothy sussurrou. 

— Poder, podemos — Prim comentou. — Não devemos. É diferente. 

Os risinhos em conjunto formaram uma melodia bonita naquele canto do espaço. 

— Sua família é escandalosa, Prim? — Dorothy perguntou. — Porque os Spencers, são. Talvez você saia correndo de perto de nós. 

Ela negou, ainda sorrindo. 

— Não somos escandalosos, eu acho, mas talvez tenha sido apenas falta de oportunidade. Em Hamilton as coisas são mais calmas. Ou, talvez, as pessoas ali não se escandalizem tão facilmente. 

Ao menos ela não se escandalizava. Na verdade, Prim gostava de pensar em si como uma moça de espírito livre, que, apesar de viver em uma sociedade regida por homens e cheia de regras, faria o possível para ter a liberdade de tomar suas escolhas e se aventurar. Primrose sempre gostara de desenhar gravuras. Flores e animais eram suas inspirações preferidas. Quem sabe, um dia, conseguiria impressionar algum naturalista e ilustrar um livro de criaturas do campo? É claro que para isso precisaria tornar seus talentos públicos, mas ela podia sonhar, não podia? 

— Você espera conseguir um marido nesta temporada? — Dorothy quis saber.

— Não sei. — Ela deu de ombros. — Mamãe disse que não preciso ter pressa para isso. Ela e papai desejam que eu me case por amor. 

Oun… — As três soltaram ao mesmo tempo. 

— Meus pais também — Claire disse. — Vivemos cercadas de casais apaixonados. 

— Eu sei bem como é isso. Suspiros e olhares românticos para todos os lados. — Prim alisou as saias do vestido. 

— É o que você deseja? — Gwen quis saber. — Viver um amor? 

Hum, talvez. Prim não se considerava a mais romântica das pessoas, mas a ideia de construir a vida ao lado de alguém e formar uma família lhe enchia de ternura. Se viesse a se casar, Prim queria um homem bom, que poderia ser o seu companheiro de aventuras. Não aceitaria simplesmente ser um acessório nos braços de um homem qualquer. Queria um sujeito que a apoiasse, que gostasse dela por sua pessoa e essência, e não apenas porque era uma dama e um bom partido. 

— Eu não me importaria em me apaixonar. E você?

Gwen enrugou o nariz. 

— Não me importo tanto com isso. A romântica incurável entre nós é Claire. 

Claire revirou os olhos de forma divertida. Elas continuaram conversando sobre assuntos alheios, até que Gwen foi tirada para dançar, assim como Dorothy. Claire contou a Prim que tinha um pretendente em vista, e que pensava estar apaixonada. Ela era adorável. Tinha olhos castanhos, cabelos louros e um sorriso suave. Era doce, e não parecia ter medo de falar o que pensava. Prim tinha certeza de que virariam grandes amigas. 

De um minuto para o outro, o salão inteiro voltou-se para um rapaz alto e de cabelos escuros e as duas mulheres que entraram ao lado dele — uma senhora e a versão mais jovem dela, que Prim supôs ser sua filha. 

— Quem são eles? — Prim quis saber. 

— Os Hearts — Claire explicou, baixinho. — Ele é Fitzgerald Heart, o Duque de Heart. A duquesa, sua mãe, é a de vestido azul, e a mais jovem é Penelope, a irmã-gêmea dele. 

— E por que todos estão encarando? 

— Eles retornaram à cidade nesta temporada. Foi um caso complicado, e… — Claire parou de falar, olhando em outra direção. — Meu primo está acenando para mim? — ela murmurou. 

Prim desviou a atenção dos recém-chegados e se virou. Um outro homem, de cabelos claros e olhos azuis, encarava Claire com intensidade. E nossa, ele era muito bonito. 

Muito. 

— Dê-me licença, por favor, Prim. Phil quer falar comigo. Eu já volto. — Ela sorriu e deixou Prim sozinha. 

Enquanto observava a mocinha se afastar, o olhar de Prim cruzou mais uma vez com o dele. 

E seu coração acelerou tanto que ela precisou se lembrar de respirar. 

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