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O pedido da dama - capítulo 3 (parte 1)

Ele estava se aproximando.

Céus, o que ela deveria fazer? 

A cada centímetro que o moço bonito primo de Lady Claire se aproximava, Prim ficava mais nervosa. 

E então ele parou, na frente dela, com um sorriso bonito nos lábios e os olhos azuis brilhantes. 

— Milady. — Ele fez um aceno curto com a cabeça. 

— Milorde. — Prim respondeu, suas mãos suando dentro das luvas. 

— Sou Phillip Spencer. Phil, considerando que tenho o nome de meu pai. Digo, é meu nome também, mas não confundirmos os dois… a senhorita entendeu — ele disse, atrapalhado. 

Que gracinha... 

— Eu me chamo Primrose. Maclogan, caso esteja interessado em saber meu sobrenome. 

— Ah, estou interessado — foi a resposta. — E eu gostaria de tirá-la para dançar, se ainda houver espaço em seu cartão. 

Prim olhou para o próprio pulso e então o estendeu a ele. 

— Aqui. Eu aceito. 

Phil fez uma expressão travessa ao anotar o nome do papel. 

— Enquanto esperamos, a senhorita quer me acompanhar até a mesa de ponche?

— Eu estou com sede. 

Phil estendeu o braço a ela, gesto que Prim prontamente aceitou. De longe, ela conseguiu notar Lady Claire fitá-los, seus olhos divertidos denunciavam que ela gostava do que via.

— Então, o senhor é primo de Lady Claire?

— De segundo grau. — Phil parou em frente à mesa enfeitada e serviu uma taça do líquido colorido. — Na verdade, meu pai é primo do pai dela, o duque. 

— Ah, sim… — Prim bebeu um pouco do ponche. 

— E a senhorita está estreando na sociedade? 

— Digamos que sim. Eu demorei um pouco até tomar a decisão de frequentar finalmente os bailes londrinos. Eu e minha família vivemos no campo. 

— Na Escócia. — Phil levou a taça aos lábios. — Digo, consigo ver pelo seu sotaque. 

— Sim, vivemos em Hamilton. Meu pai tem posse do ducado. 

— Hamilton… Eu nunca fui até lá. É bonito?

— Eu gosto muito. As paisagens são magníficas… 

Enquanto tagarelava sobre o verde da grama e o rosa acentuado das flores de sua região, Prim notou que aquele cavalheiro realmente prestava atenção em suas palavras. Ele tampouco pareceu interessado nela pelo título de Keith, o que ela gostou muito. Os cabelos claros e os olhos azuis eram perfeitos, assim como cada canto e ângulo daquele rosto másculo. 

Ela até mesmo demorou para perceber que estava com o pescoço inclinado enquanto o analisava. Prim se corrigiu, pois não queria passar vergonha — ou ficar com um torcicolo. 

— Enfim, essa é a Escócia. — Ela finalmente respirou. 

Phil deixou o copo de lado e estendeu a mão a ela. 

Que mão grande e bonita ele tinha…Sem luvas deveria ser uma tentação.

— Vamos? — Phil perguntou. — A valsa vai começar. 

Ela assentiu e o acompanhou, por fim. No centro do salão, diversos casais se reuniam. Phil assumiu a postura correta e conduziu-a, tão logo a melodia soou no cômodo amplo. 

— A senhorita é uma excelente dançarina. 

— Gosto de dançar. — Ela sorriu, porque gostava mesmo. — O senhor não fica atrás. 

— Obrigado. — Ele a guiou num rodopio. — Eu poderia tirá-la para dançar o resto da temporada. 

O rosto dela esquentou, mas Prim não perdeu a pose. 

— Se não fosse atrevido demais, Sr. Spencer, eu diria que está flertando comigo. 

A música parou e eles se cumprimentaram. 

— E se eu estiver? — Ele pegou a mão dela e a levou aos lábios, depositando um beijo ali. — Devo continuar meu flerte, Lady Primrose?

Prim engoliu em seco. Ela deveria estar em choque, ou até mesmo irritada com tamanho atrevimento. Contudo, seu coração disparado guiou a resposta. 

— Sim. — Ela levantou o queixo. — O senhor deve. 

E então ele piscou, numa concordância silenciosa. 

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