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O pedido da dama - Capítulo 4


— Apaixonada, meu bem?

Em seu dormitório, Primrose concordou com um aceno de cabeça, abraçando uma de suas almofadas.

— Sim, mamãe. Apaixonadíssima. Quem diria?

A Duquesa de Hamilton, Elizabeth MacLogan, franziu levemente as sobrancelhas. 

— Tem certeza? Você e Lorde Spencer se conhecem há pouco tempo. 

— Há várias semanas — ela observou — e, sim, tenho certeza. Phil me faz sorrir, mamãe. Ele é lindo e encantador, um perfeito cavalheiro. 

— Hum… 

— E ele me escuta, me leva a sério. Quando mencionei que gosto de desenhar, pensei que ele poderia me julgar, mas Phil quis ver meus desenhos e os elogiou. 

— Ele não se importou que você deseje outras coisas além de se casar e ter filhos? Porque você não deve abrir mão de seus desejos por uma paixonite, querida.

Prim negou. Ela sabia bem disso. Primrose encontrara em Phil mais que um pretendente. Ela encontrara um companheiro. Não teria deixado o envolvimento deles prosseguir se fosse diferente.

— Não, ele pareceu muito animado quando eu disse que gostava de desenhar. Sempre me perguntei se precisaria fingir ao encontrar algum sujeito que me despertasse interesse, mas Phil me ama pelo que sou. Ele é o homem perfeito para mim. 

— Ai, ai, ai… Seu pai vai ter um treco — Liz soltou uma risada. 

— Ora, mas papai sabe que ele está me cortejando. 

— Sim, mas se estão apaixonados, isso significa que sua filha protegida em breve será uma mulher casada. 

Primrose se sentiu repentinamente nervosa. Que Phil era sincero desde o minuto em que pusera os olhos nela, isso não era mentira. No último encontro que tiveram, quando os olhos azuis se fixaram nos dela após beijá-la e ele confessou seu amor, Primrose poderia sair voando. Contudo… ele não chegou a mencionar um pedido de casamento oficial. 

— Phil ainda não falou nada sobre um pedido.

— Ai, ai, ai, de novo… — Elizabeth pôs a mão na cintura. 

— Mamãe, eu não sou uma boba. Confessamos nosso amor anteontem, é tudo muito recente. 

— Mas se ele te pedir em casamento, você dirá sim, certo? 

Sem dúvidas, embora virar uma senhora oficialmente lhe desse um friozinho na barriga intrigante. 

— Eu o amo. Então, não vejo motivos para negar. 

— Querida, eu não vou interrogá-la demasiadamente, afinal, fui jovem um dia. Somente você sabe o que se passa em seu coração. Apenas prometa que você e Phillip serão sinceros conosco. 

— Eu prometo! Estou sendo sincera agora, não estou?

Lizzie se curvou para beijar o rosto dela. 

— Sim, está. — Ela acariciou a bochecha de Prim. — Meu Deus. Como você cresceu…

Prim revirou os olhos de forma divertida. 

— Tenho vinte e quatro anos! Sou, inclusive, mais velha do que ele. 

— Alguns meses apenas. 

— Um ano! É significativo. Estou um tanto idosa, se pensarmos bem.

A duquesa caiu na risada. 

— Sua bobinha. Está feliz mesmo, não está?

Sim, ela estava. Imensamente feliz. 


***


Na manhã seguinte, Phil apareceu em frente à casa do Duque de Hamilton para levar sua dama para uma volta no parque. Acompanhada da aia, Prim passou pela porta da frente e sorriu assim que botou os olhos nele, que espelhou o gesto. 

Que linda ela estava — bem, como sempre. Primrose usava um vestido azul na mesma cor do chapéuzinho, estreito na cintura e de saias armada cheia de babados, um casaco para o tempo fresco e luvas brancas de renda. 

— Bom dia, princesa. — Ele estendeu o braço para ela, que aceitou. 

— Bom dia. Dormiu bem? 

Eles começaram a caminhar, com a aia seguindo-os. 

— Dormi, sim. Eu queria muito vê-la.

— Eu também. 

— Contei aos meus pais sobre minhas intenções, Prim — ele disparou. — Contei a eles que estou apaixonado. 

Ela parou, um tanto surpresa. 

— Contou? 

— Sim, é claro. Sei que não mencionei nada na última vez, mas… sabe que quero me casar com você, não sabe? 

Os olhos adoráveis piscaram rápido. 

— Oh, Phil. Você estava em meu quarto ontem, é? — Ela sorriu. 

Voltaram a andar, atravessando a rua até a entrada do Hyde Park. 

— O que quer dizer? 

— Também contei a mamãe que estou apaixonada. Meu Deus, foi como se tivéssemos combinado. 

Ele achou graça. Até mesmo nisso, eles estavam em sincronia. 

— E o que ela disse? 

— Ela perguntou se eu tinha certeza, o que afirmei, é claro. Ela quis saber se você conhece meus planos de desenhar, se não iria tentar impedir que eu os realizasse.

A preocupação da duquesa fazia sentido. Numa sociedade em que homens tinham vantagem, em que mulheres eram tratadas como objetos, era natural que a mãe dela tivesse tal receio. Contudo, ele não seria um desses sujeitos dominadores. De jeito nenhum. Quando Primrose mencionou seus planos de se tornar uma ilustradora de plantas, Phil ficou encantado com a determinação na voz dela. Agora que desejava se casar, seria para Prim mais do que um marido. Seria um companheiro, que a apoiaria para que realizasse seus sonhos e a convidaria para que ela o acompanhasse na realização dos dele.

— Quero que você conquiste o mundo, meu bem. Tudo que desejo é fazê-la feliz.

— Eu disse isso a ela. E então ela mencionou casamento, mas eu disse que você ainda não havia tocado no assunto. 

— Eu queria comunicar minha família antes de pedir sua mão. Eles ficaram surpresos, mas me apoiaram.

— Isso é um pedido? — Prim perguntou, mordendo o lábio inferior.

Era uma pena que estivessem em pleno Hyde Park, pois ele desejou beijá-la com vontade naquele momento.

— Não ainda. Mas se fosse… — Phil parou e pegou na mão dela. — O que você diria?

Foi como se o tempo parasse naquele breve instante. O raio de sol, muito suave naquela manhã, iluminava o rosto de Primrose de um jeito deslumbrante, deixando-a ainda mais encantadora. 

— Eu diria sim, Phil. 

Os lábios dele se curvaram em um sorriso largo. 

— Posso falar com seu pai? Com a concordância dele, prometo que farei um pedido romântico, do jeito que você merece. 

— Eu já estou respirando romance, seu bobo. — Prim tocou no rosto dele. — Pode falar com Lorde Keith, sim. Te desejo toda a sorte do mundo. 

Ele riu com a piada, ainda que Prim não tivesse o acompanhado com tanto entusiasmo. 

O sorriso morreu, quando Phil se deu conta do que aquilo podia significar. Oh, céus…

Mas era mesmo uma piada, certo? 

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