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O pedido da dama - Capítulo 5 (parte 1)


Primrose não estava brincando.

Embora ela tivesse reparado no sorriso de Phil quando ele mencionou oficialmente pedir a mão dela para Keith, Prim realmente esperava que o moço que um dia seria seu marido fosse sábio ao conversar com o duque. 

Lá estava ele, todo pimpão e cavalheiro, sentado no sofá da mansão da família Hamilton em Mayfair. 

— Então…— Phil pigarreou, olhando rapidamente para Prim, acomodada dois lugares ao lado dele. — Eu gostaria de sua permissão para me casar com Lady Primrose, milorde. 

Keith Maclogan cruzou os braços enormes. Ele ainda tinha muitos cabelos ruivos, como os de Prim, mas muitos grisalhos também, especialmente na barba. Em poucas ocasiões, Prim o vira com aquela ruga no meio da testa e entre as sobrancelhas. Elizabeth, a duquesa, se mantinha calada ao lado dele, com um vestido violeta de dia que contrastava com os cabelos loiros, observando a cena com olhos verdes analíticos. 

— Vocês se conhecem há pouco tempo — Keith finalmente falou. 

— Há algumas semanas — Phil tentou argumentar, mas foi como se não tivesse dito nada, pois o duque prosseguiu. 

— Entendo que tenham se entendido, mas ainda é cedo para compromissos tão sérios. 

— Eu estou apaixonado por ela, sir. — Phil não se intimidou. Prim sorriu levemente, achando lindo a coragem do rapaz. — Amo sua filha, com todo meu coração. 

Elizabeth também curvou os lábios num sorriso orgulhoso. Keith, contudo, continuou sério. 

— Primrose, o que tem a dizer? — o pai perguntou a ela. 

— Eu o amo, papai. Quero me casar com ele. 

— Certo, certo… — Ele fechou um olho, como se estivesse com dor de cabeça. Talvez fosse verdade. — Vamos fazer o seguinte: podemos acertar esse noivado, mas o casamento não acontecerá este ano. 

— Tudo bem. —Phil trocou um olhar com Primrose. Era o que eles esperavam, não era? — Podemos acertar a cerimônia para janeiro. 

— De jeito nenhum — o Duque de Hamilton negou. — O casamento acontecerá depois de abril.

Abril? — O casal perguntou ao mesmo tempo. 

— Sim, pois vocês precisam de tempo! 

— Keith, querido… — Elizabeth murmurou ao lado dele. — Abril é um tanto…

— Abril! — Ele se levantou. — A não ser que queiram esquecer tudo isso agora mesmo. 

Ah, aquela autoridade ducal. Mas que droga!

— Não! — Phil se levantou. — Abril, sir. Tudo bem, faremos o que Vossa Graça quiser. 

Foi difícil para Primrose controlar a cara feia. Seu pai estava sendo teimoso! Que motivo tinham para esperar até o maldito mês de abril? Como se tivesse ouvido seus pensamentos, Elizabeth encarou a filha e falou, mesmo que sem dizer nada: controle-se, mocinha. 

Ora essa, que absurdo. 

— Muito bem, papai. — Ela fez o possível para não demonstrar sua frustração.

Aye, então estamos acertados! — O duque sorriu, convencido, apertou a mão de Phil e deixou a sala. 

Prim observou-o sair de sua presença mordendo o interior da bochecha. 

— Mamãe, papai está sendo impossível! — Prim reclamou com Elizabeth. 

Phil soltou o ar e voltou a se sentar, finalmente permitindo-se fazer uma careta. 

— Eu sei, eu sei. Falarei com ele. Sr. Spencer, fique à vontade. Vamos fingir que não deixarei vocês dois sozinhos por… — Ela olhou para o relógio na parede do cômodo. — Dez minutos? 

Prim concordou e, assim que ficou a sós com o noivo, sentou-se ao lado dele. 

— Não estamos nem em novembro! — ela resmungou. — Não quero esperar até abril. 

— Eu também gostaria que nos casássemos mais cedo, princesa, mas o que posso fazer? Viu o tamanho do homem que é seu pai? 

Ela riu. 

— Bem, você também é forte. E lindo e jovem. 

Phil fez uma expressão convencida. 

— Ainda assim, meu pai foi claro ao exigir que eu respeitasse as vontades do duque. Não desejo aborrecer Phillip Spencer.

Prim encostou a cabeça no ombro dele, com um suspiro resignado. 

— Que droga. Eu gostaria de ser mais rebelde. 

— Eu também — Phil murmurou, pegando nas mãos dela. — Se fôssemos atrevidos, fugiríamos para Gretna Green. Não é como se pudessem nos impedir depois disso. — Ele beijou o topo da cabeça de Prim. 

Ela sabia que ele não estava falando sério. 

Mas que aquela era uma ótima ideia, era.

Talvez… a melhor de todas elas. 


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